| POPULARIDADE E VOTO |
PESQUISAS EM DEZENAS DE MUNICÍPIOS TÊM MOSTRADO QUE A POPULARIDADE DO PREFEITO É DECISIVA PARA A SUA REELEIÇÃO
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Carlos Matheus
Ex-Diretor do Instituto Gallup
Atual Consultor DOXOMETRIA
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Depois que foi instituída a reeleição para os ocupantes de cargos do poder executivo, dezenas de pesquisas eleitorais têm mostrado que a popularidade do Prefeito tem relação direta tanto em relação às suas possibilidades de reeleição como também para transferência de voto a candidatos que tenham seu explícito apoio.
Embora os resultados das pesquisas de intenção de voto dependam da evolução de cada campanha, tem sido bastante constante o efeito sobre a decisão de voto dos eleitores do prestígio que quem governa mantêm ao longo do exercício de seu mandato.
É, aliás, fácil compreender os motivos desta correlação entre o voto e a popularidade. Em geral, os eleitores aprovam a permanência no cargo de quem julgam estar se conduzindo bem mas tendem a buscar alternativas de renovação quando acontece o inverso.
A popularidade de prefeitos, governadores e também presidentes da república tem sido avaliada através de uma escala verbal de cinco pontos, na qual há uma graduação positiva e negativa, tendo também um ponto neutro.
Nesta escala, a aprovação se dá através das palavras ótimo e bom e a desaprovação, com as palavras ruim e péssimo. A experiência tem mostrado que o ponto neutro representado pela palavra regular não interfere na decisão de apoio ou de continuidade no cargo.
O motivo é bastante simples: as pessoas sempre esperam que seus governantes sejam melhores. Só aceitam que sejam iguais quando já são considerados bons ou ótimos. Não se deseja a continuidade do que é regular, ruim ou péssimo. Por este motivo, quem assim julga um governante tende a lhe rejeitar o voto.
De um modo geral, os eleitores brasileiros reservam o qualificativo ótimo aos que efetivamente merecem aprovação. Já o qualificativo relacionado com o bom costuma ocultar alguma dúvida ou incerteza: não dispondo de informações suficientes a respeito do desempenho de quem está sendo avaliado, evita-se uma reprovação, atribuindo uma aprovação moderada.
Em função disto, nem todos os que julgam bom um prefeito ou um governador acabam votando pela sua continuidade no cargo ou então pelo ingresso no cargo de alguém que tenha o seu apoio. Este fato é fácil de compreender.
De um modo geral, os percentuais relacionados ao qualificativo bom tendem a se dividir em dois blocos - dos quais a metade significa um real apoio à continuidade no cargo e a outra metade tende a buscar alternativas melhores durante a campanha eleitoral.
Deste modo, é possível dizer que - na grande maioria dos casos - as avaliações relacionadas à popularidade tendem a se distribuir do seguinte modo:
Relação entre popularidade e disposição de voto
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ótimo 100% favoráveis à continuidade no cargo
bom 30% favoráveis à continuidade no cargo
40% em dúvida dependendo das alternativas
30% contrários à continuidade no cargo
regular 100% contrários à continuidade no cargo
ruim 100% contrários à continuidade no cargo
péssimo 100% contrários à continuidade no cargo
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Em conseqüência, quando a popularidade de um prefeito apresenta um ótimo acima de 50%, sua reeleição está praticamente assegurada. Isto ocorre também quando o ótimo fica acima de 30% mas o bom atinge mais de 50%. Neste segundo caso, quase metade destes 50% tendem a se somar aos 30%, o que lhe garante a maioria de votos.
No entanto, quando um prefeito tem percentuais de aprovação em que o ótimo e pelo menos metade do bom não somam 50%, sua reeleição ou sua transferência de voto está sujeita algum revés, caso venha disputar o voto popular.
Estas correlações têm sido amplamente observadas em inúmeras eleições municipais, nas quais o ocupante do cargo procura influir na escolha de seu sucessor ou disputar diretamente sua reeleição. As flutuações que ocorrem nas pesquisas de intenção de voto são quase sempre decorrentes da falta de informação de parcelas do eleitorado a respeito dos candidatos ou de suas qualificações.
No entanto, os dados de popularidade de quem ocupa o cargo no período que antecede ao voto são bastante estáveis. Não se alteram muito no decorrer da campanha e tendem a permanecer nos mesmos níveis até o final.
Em resumo, estas correlações podem ser assim agrupadas em três situações hipotéticas:
1. reeleição improvável
2. reeleição duvidosa
3. reeleição segura
A reeleição é muito remota quando os percentuais de popularidade se situam até 35% de "ótimo" e "bom". Nestes casos, os percentuais de votos tendem a se situar na faixa de 20%, configurando uma situação de baixa probabilidade de reeleição.
É o que mostra o quadro abaixo:
REELEIÇÃO IMPROVÁVEL
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O Prefeito é % Votação %
ótimo 15 votos obtidos 20
bom 20 votos contrários 65
regular/ruim/péssimo 65 indiferentes 15
TOTAL 100 TOTAL 100
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Uma situação uma pouco mais favorável ocorre quando o atual prefeito dispõe de uma popularidade em torno de 60% na soma dos atributos de "ótimo" e "bom". Nestes casos, é possível supor, no exemplo abaixo, uma total transferência para o voto dos 25% de "'ótimo" e uma conquista parcial dos percentuais de "bom".
Neste caso, a reeleição pode ser considerada duvidosa, isto é, poderá ocorrer ou não, dependendo do desenrolar-se da campanha.
E' o que mostram os dados abaixo
REELEIÇÃO DUVIDOSA
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O Prefeito é % Votação %
ótimo 25 votos obtidos 40
bom 35 votos contrários 50
regular/ruim/péssimo 40 indiferentes 15
TOTAL 100 TOTAL 100
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Por fim, um prefeito pode considerar segura sua reeleição no caso em que, como no exemplo abaixo, esteja com uma avaliação de "ótimo" acima de 40%. A partir deste nível, é possível agregar uma parcela dos que o consideram um "bom" prefeito e isto lhe daria a maioria dos votos.
É o que mostram os dados abaixo:
REELEIÇÃO SEGURA
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O Prefeito é % Votação %
ótimo 40 votos obtidos 60
bom 40 votos contrários 25
regular/ruim/péssimo 20 indiferentes 15
TOTAL 100 TOTAL 100
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